Faz parte da nossa história!
- Imperial Coro DO Penedo

- 17 de abr.
- 2 min de leitura

Nessa fotografia, o tempo repousa com delicadeza sobre nossos rostos jovens.
Era 1986 e ainda éramos o antigo Coral Vozes de Penedo, com apenas dois anos de existência, mas já carregando nos olhos a ousadia dos sonhos grandes. Havia em nós uma chama acesa, alimentada pela condução firme e inspiradora do maestro Benedito Fonseca, que, com sensibilidade e rigor, moldava não apenas vozes, mas destinos. Ele nos ensinou a importância da disciplina e da paixão pela música, e, através de sua orientação, aprendemos a valorizar cada ensaio, cada apresentação, como uma oportunidade de crescimento e aprendizado.
Éramos muitos, e éramos um só: seis baixos que sustentavam a terra, seis tenores que desenhavam o céu, dez contraltos que aqueciam o meio do caminho, e dez sopranos que faziam a luz vibrar no alto. Juntos, formávamos um corpo sonoro cheio de coragem e encantamento, onde a diversidade de nossas vozes se unia em um só canto, criando harmonias que ressoavam profundamente em nossos corações e naqueles que nos ouviam.
Partimos rumo a São Luís, atendendo ao chamado do tão sonhado FEMACO. No palco do imponente Teatro José Sarney, não éramos apenas um coral — éramos a própria expressão de uma juventude que acreditava na música como ponte, como fé, como identidade. Cada apresentação era uma oportunidade de mostrar ao mundo o que éramos capazes de fazer, e a emoção que sentíamos ao cantar juntos era indescritível. A música nos unia, e naquele momento, éramos todos parte de uma grande história que estava apenas começando a ser escrita.
Cantamos quatro peças do cancioneiro de Luiz Gonzaga — e a cada nota, o Nordeste pulsava em nós. O aplauso veio como um abraço coletivo, forte, vibrante, inesquecível: bravo, bravíssimo! — ecoando não apenas no teatro, mas dentro de cada um de nós. Era a confirmação de que estávamos no caminho certo, de que nossos esforços e dedicação estavam sendo reconhecidos e valorizados. A música, com sua capacidade de tocar a alma, nos fez sentir vivos e conectados a algo maior.
E, como se o caminho ainda tivesse mais a nos oferecer, seguimos até Caxias. Lá, na celebração do aniversário da cidade, fomos recebidos com uma generosidade que transcendeu protocolos: do bispo ao prefeito, todos pareciam tocados por aquele instante raro, onde a música une, eleva e eterniza. O calor humano e a recepção calorosa nos lembraram da importância da comunidade e do papel que a música desempenha na construção de laços e na celebração da vida.
Essa fotografia guarda mais que um registro — guarda um tempo em que éramos começo, coragem e canto. Um tempo que não se foi: permanece vivo, ressoando em cada memória, em cada acorde que ainda hoje insiste em nos lembrar de quem fomos — e de tudo o que ainda somos. As experiências vividas, os laços formados e as lições aprendidas continuam a nos acompanhar, e a música que compartilhamos naquele ano se tornou uma parte indelével de nossas vidas, moldando quem somos e como vemos o mundo ao nosso redor.



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