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NO TEMPO EM QUE OS AMIGOS ERAM ETERNOS

  • Foto do escritor: Imperial Coro DO Penedo
    Imperial Coro DO Penedo
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Há pessoas que passam por nossa vida como passageiros de uma estação. Outras, porém, tornam-se parte da nossa própria história. Quando partem, levam um pedaço de nós e deixam outro, ainda maior, guardado para sempre em nossa memória.


Foi assim com Ilton Morais.

No dia 2 de julho, a notícia de sua partida caiu sobre nós como um silêncio difícil de explicar. Não era apenas um amigo que se despedia; era um companheiro de infância, um irmão escolhido pela vida, alguém que ajudou a escrever algumas das páginas mais felizes da juventude de tantos de nós.

A amizade tem o estranho poder de vencer o tempo. Basta fechar os olhos e, de repente, voltamos a ser meninos caminhando para a escola, sonhando com o futuro sem imaginar que um dia falaríamos de saudade.

Naqueles anos, a felicidade cabia em tão pouco. Durante meses economizávamos cada moeda para viver intensamente a Gincana Penedense de Pesca. Eram três dias de liberdade, barracas de acampamento, música, risos, aventuras e aquela certeza ingênua de que a vida jamais acabaria.


Depois chegavam os carnavais.


As famílias se reuniam, as ruas se enchiam de cores e nós inventávamos personagens para brincar com a própria vida. Fomos os irreverentes "Mestres dos Mestres" das artes marciais, numa divertida homenagem ao jeito bem-humorado com que Ilton e seu primo encaravam a limitação física que carregavam desde cedo. Em outro carnaval, éramos os inesquecíveis "Três Cavaleiros do Apocalipse". Diziam, entre gargalhadas, que quando Ilton, César e Paulinho apareciam juntos, era melhor preparar o coração, porque dali só poderiam nascer histórias que seriam contadas por muitos anos.


E foram.

O tempo, esse escultor implacável, levou a adolescência, trouxe responsabilidades, casamentos, filhos, trabalho e novos caminhos. Ilton construiu sua vida em Maceió, tornando-se um profissional respeitado na área de eletrônica automotiva. Paulinho e eu permanecemos em Penedo, cada um seguindo sua missão no serviço público. As distâncias mudaram os endereços, mas nunca diminuíram a amizade.

Tive a honra de ser padrinho de seu casamento e, mais tarde, de seu filho. Seu primo também compartilhou desses momentos, tornando-se padrinho de sua filha. Esses laços não são apenas familiares; são marcas que a vida grava para sempre na alma.

Como acontece com tantos de nós, Ilton também enfrentou batalhas que poucos conseguiam enxergar por inteiro. Há dores que não aparecem nos retratos nem nas fotografias das festas. São lutas silenciosas, travadas dentro do coração. Sua família e seus amigos estenderam as mãos inúmeras vezes, movidos pelo amor e pela esperança. Cada gesto era um abraço dizendo: "Você não está sozinho."


A vida, entretanto, nem sempre segue o roteiro que desejamos.

Hoje, prefiro não recordar os dias de enfermidade. Quero guardar o homem do sorriso largo, da conversa fácil, da amizade sincera, da generosidade espontânea e da alegria que fazia qualquer encontro parecer uma celebração.


Porque é assim que os verdadeiros amigos permanecem vivos.

Eles continuam sentados nas mesas das antigas conversas. Caminham pelas ruas onde fomos felizes. Riem das mesmas histórias. Estão presentes nas músicas que marcaram uma época e nas fotografias amareladas que insistem em vencer o tempo.

No sétimo dia de sua partida, não escrevo apenas para lamentar sua ausência.


Escrevo para agradecer.

Obrigado, Ilton, por cada momento compartilhado, pelas aventuras da juventude, pelas risadas que ainda ecoam em nossa memória e pela amizade que atravessou décadas sem perder a força.

Que Deus, em Sua infinita misericórdia, receba você na morada eterna, onde não existem mais dores, limitações nem solidão, apenas a paz reservada aos que concluem sua caminhada.

E quando um dia voltarmos a nos encontrar, tenho certeza de que reconheceremos uns aos outros pelo mesmo sorriso de sempre. Talvez até retomemos aquela velha brincadeira, como se o tempo jamais tivesse passado.


Descanse em paz, meu amigo.


 
 
 

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